CONVOCATÓRIA ASSEMBLEIA GERAL

Eu, Tiago Pita, Presidente da Mesa da Assembleia da Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico, venho por este meio, e de acordo com os estatutos em vigor, convocar todos os associados para uma Assembleia Geral Extraordinária, no próximo dia 16 de Fevereiro de 2018, pelas 17:30, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal, Largo São Domingos, 11, 1150-320, Lisboa.

Dadas as condições extraordinárias da presente Assembleia Geral, iniciaremos a reunião com o quórum presente na data e local supra mencionados (mas com 10 minutos de tolerância), com a seguinte ordem de trabalhos:

1 – Apresentação e tomada de posse dos novos órgãos nacionais;

2 – Apresentação, discussão e votação da proposta sobre amnistia dos associados com obrigações por cumprir e/ou data para o cumprimento das mesmas

3 – Apresentação, discussão e votação do Plano de Atividades da Direção Nacional Executiva para 201/2019;

4 – Apresentação, discussão e votação do Relatório de contas até 2018;

5 – Apresentação da relação do espólio existente na APAEF;

6 – Questões sobre Estatutos e Regulamento Interno da APAEF.

7 – Outros assuntos.

Sem mais de momento, despeço-me de todos com um forte abraço, apelando à ativa participação de todos.

 

O Presidente da Assembleia Geral da APAEF

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Processo eleitoral (cont)

 

Dando seguimento à calendarização do processo eleitoral tendo em vista a eleição do próximo(a) Presidente da Direção Executiva Nacional da APAEF, publica-se o boletim de votação a utilizar presencialmente no próximo dia 6/1/2018 na Rua dos Remolares, 14 – Sala de reuniões “APAEF”, 1200-371, Lisboa, das 10:00 às 12:00 horas, ou, em alternativa, Por correio eletrónico eleicoes.apaef@gmail.com, até dia 5 de Janeiro de 2018 (conferir a informação anterior).

Foi recebida uma (1) candidatura a Presidente da Direção Executiva Nacional que cumpre os critérios estatutários, apresentada pela associada Teresa Furtado Coelho, sendo aceite e, consequentemente, atribuida a letra “A”.

Dessa forma, o boletim de votação será como se apresenta de seguida.

 

Presidente da Direção Executiva Nacional:

Candidatura A                                                  £

 

Em caso de qualquer dúvida, por favor, contacte-me via eleicoes.apaef@gmail.com.

Apela-se à participação de todos.

Saudações cordiais,

Tiago Pita

Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APAEF.

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PROCESSO ELEITORAL 2017

Presidência da Mesa da Assembleia Geral

E-Mail: eleicoes.apaef@gmail.com

 

 

Foi recebido pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico (APAEF) o pedido de demissão do Sr. Presidente da Direcção Executiva Nacional, Doutor Alves Jana.

Pelas razões apresentadas foi decidida a aceitação do pedido de demissão.

Deste modo, e como ainda acreditamos que um projecto como o da APAEF, 1ª Associação em Portugal na área da Filosofia Aplicada e das denominadas novas aplicações da prática filosófica, não pode, nem deve parar, é minha função[1] convocar uma Assembleia Geral Extraordinária com o fim de eleger o cargo de Presidente da Direcção Executiva Nacional.[2]

A convocatória da mesma segue em anexo, bem como os procedimentos a adoptar e o cronograma.

Relembra-se, que segundo o artigo 34º dos Estatutos da APAEF, nomeadamente no seu nº. 2, “a eleição será regulamentada e executada por uma Comissão Eleitoral criada pela Assembleia Geral.”

A referida Comissão Eleitoral será presidida pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral (Tiago Pita), que se fará secretariar por um associado por ele a designar, fazendo também dela parte um (1) elemento por cada candidatura aceite (o próprio candidato ou pessoa que o represente).

As regras e o procedimento a adoptar são as presentes nos estatutos da APAEF, pelo que se sugere a atenta leitura dos mesmos, ficando qualquer lacuna e/ou interpretação dos mesmos à inteira responsabilidade da Comissão Eleitoral.

Não obstante, serão em baixo apresentados os artigos relativos à presente eleição, nomeadamente, os requisitos, forma de eleição e duração do mandato, composição do órgão e competências do Presidente da Direcção Executiva Nacional.

Assim:

  1. Segundo o ART. 18º: “só poderão presidir à Direcção Executiva da APAEF, Filósofos com actividade profissional, com nacionalidade portuguesa, licenciados em Universidades nacionais e com currículo relevante na área do «Aconselhamento Ético e Filosófico». Os restantes cargos da Direcção Executiva Nacional, serão nomeados pelo Presidente eleito, ou se este o desejar, submetidos a votação por parte da Assembleia Geral, podendo, no entanto, candidatar-se qualquer associado, que manifeste relevante interesse nas actividades da APAEF e possua currículo e perfil adequados para o cargo que vai representar.”
  2. Segundo o ART. 19º, “não poderão ser candidatos a cargos elegíveis da APAEF aqueles que não tenham o pagamento das quotas actualizado ou que já tenham sido alvo de processos disciplinares.”
  3. Segundo o ART. 22º, “a Direcção será eleita por escrutínio secreto, universal e directo dos associados da APAEF, no gozo dos seus direitos, e terá mandato de quatro anos.”
  4. Segundo o ART. 23º, “a Direcção é composta de membros efectivos assim distribuídos: I – cargos da Presidência, em número de um: Presidente; II – cargos da Secretaria, em número de um: Secretário-Geral; III – cargos da Tesouraria, em número de um: Tesoureiro. É vedada a acumulação de cargos na Direcção.”
  5. Segundo o ART. 26º, “compete ao Presidente: I – representar a APAEF em juízo ou fora dele, inclusivé na qualidade de substituto processual, podendo delegar poderes ao Secretário-Geral ou a outro director; II – abrir, instalar e presidir às reuniões da Direcção; III – abrir, rubricar e encerrar os livros de actas da APAEF; IV – assinar a correspondência oficial da APAEF e, juntamente com o Secretário-Geral, toda a correspondência que estabeleça quaisquer obrigações para a APAEF; V – movimentar, juntamente com o Tesoureiro em exercício, as contas da APAEF; VI – constituir, quando necessário, procuradores legais para a resolução de determinadas questões do interesse e responsabilidade da APAEF. VII – Elaborar, juntamente com os restantes elementos da Direcção, o Regulamento Interno, o qual deverá ser aprovado em Assembleia Geral”.
  6. Informa-se ainda que segundo o ART. 34º dos Estatutos da APAEF, nomeadamente no seu nº. 1, “somente poderão votar e ser votados os associados filiados até trinta dias antes da realização da Assembleia Geral da APAEF e que estejam em dia com a sua quotização anual.
  7. Informa-se finalmente que, segundo o ART. 35º dos Estatutos da APAEF, “após a proclamação dos eleitos pela Comissão Eleitoral, a posse dos membros efectivos da Direcção Executiva Nacional dar-se-á em sessão de encerramento da Assembleia Geral da APAEF.”

 

O processo eleitoral para a Presidência da Direcção Executiva Nacional da APAEF decorrerá segundo o cronograma abaixo indicado:

 

Tarefa Data
 

Abertura do processo eleitoral

 

4 de Dezembro de 2017

Recepção das candidaturas à Presidência da Direcção Executiva Nacional da APAEF* De 4 de Dezembro de 2017 até dia 27 de Dezembro de 2017
Publicação na página web da APAEF das candidaturas válidas e respectiva letra (conforme constará no boletim eleitoral) 4 de Janeiro de 2018
Assembleia eleitoral** (votação e tomada de posse)*** 6 de Janeiro de 2018

 

* – As candidaturas deverão ser enviadas para o endereço de correio eletrónico eleicoes.apaef@gmail.com, com o assunto “Candidatura a Presidente da Direção Nacional”, dirigido ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APAEF, Tiago Pita, acompanhada de uma breve nota curricular (confirmação do art. 18º dos estatutos) e traços gerais do seu programa para a APAEF.

** – A Assembleia eleitoral decorrerá na Rua dos Remolares, 14 – Sala de reuniões “APAEF”, 1200-371, Lisboa.

*** – Em caso de impossibilidade da pessoa/lista vencedora estar presente, tomará posse em data e local posteriormente a acordar.

 

METODOLOGIA DE PARTICIPAÇÃO NO PROCESSO ELEITORAL (VOTAÇÃO):

 

Dada a especificidade do movimento associativo, mas promovendo a participação à distância de todos os associados em pleno uso dos seus direitos, serão admitidas 2 formas de votação:

  1. Presencial, no dia 6 de Janeiro de 2018, Rua dos Remolares, 14 – Sala de reuniões “APAEF”, 1200-371, Lisboa, das 10:00 às 12:00 horas;
  2. Por correio eletrónico eleicoes.apaef@gmail.com, até dia 5 de Janeiro de 2018, dirigido ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APAEF, Tiago Pita.

Caso seja esta a metodologia a utilizar pelo associado(a), deverão ser enviados em anexo:

  1. a) um ficheiro word com o boletim de votação, que será impresso e colocado em envelope fechado;
  2. b) fotocópia simples do Bilhete de Identidade ou Cartão do Cidadão.

 

Qualquer dúvida e/ou esclarecimento adicional, contacte eleicoes.apaef@gmail.com.

 

 

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APAEF:

Tiago Pita.

 

 

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THE SOCIETY FOR PHILOSOPHY IN PRACTICE

THE SOCIETY FOR PHILOSOPHY IN PRACTICE

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Entrevista com Lou Marinoff

E se os seus problemas quotidianos pudessem ser resolvidos através de aconselhamento filosófico? Esta é a proposta de Lou Marinoff. Em entrevista ao JANEIRO, o autor do célebre «Mais Platão, menos Prozac» falou-nos do método socrático de interpelação transferirjustificou a ruptura com a American Society for Philosophy, Counseling and Psycotherapy (ASPCP) com a necessidade de os conselheiros filosóficos serem representados e supervisionados por uma organização profissional. 

Rui Almeida

Quando é que começou a utilizar a filosofia como uma forma de ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas do dia-a-dia?
Desde a adolescência que utilizo a filosofia na minha vida. Mas como forma de ajudar as outras pessoas foi só a partir de 1991.

De que forma é que o aconselhamento filosófico o pode fazer?
Todas as pessoas têm uma filosofia de vida, um filósofo dentro delas. Não se trata de seguir determinado filósofo, mas de descobrir as nossas afinidades com eles. E para isso requere-se a ajuda de um profissional, um conselheiro filosófico.
Uso o método socrático de interpelação, através do qual consigo descobrir o que se passa com essa pessoa. Claro que essas perguntas variam consoante a situação em que ela se encontra. Da mesma forma que, quando uma pessoa está doente vai a um médico, quando alguém decide ir ter com um filósofo é porque algo na sua vida não está bem. A partir daqui tem de perceber qual é o problema e a forma como o pode solucionar. No entanto, não trabalho como um médico que faz um diagnóstico. É diálogo. Através do qual descobrimos aquilo em que essa pessoa acredita, os seus princípios, o modo como vê a vida. E depois podemos fazer alguns ajustamentos. Transforma-se a realidade, ou então muda-se a mente.

Isso não significa que os psicólogos e psiquiatras não sejam necessários?
Não. Mas significa que nem todos os problemas na vida são do âmbito psicológico ou psiquiátrico. Ninguém neste mundo consegue traçar uma linha capaz de separar claramente psicologia, psiquiatria e filosofia. É muito difícil fazer uma distinção de preto e branco. O mundo não é assim. Mas, por vezes, é simples perceber que a pessoa necessita de aconselhamento psiquiátrico. Nesses casos, obviamente, não utilizo a filosofia para ajudar essa pessoa. Mas o que muitas vezes constato é o tratamento de problemas filosóficos por parte de psicólogos e psiquiatras. Tudo o que não é claro nesta distinção tem de ser discutido, explorado.

Alguns especialistas criticam-no porque afirmam que a sua única intenção é denegrir a psiquiatra e a psicologia clínica, em vez de oferecer alternativas…
Os meus livros estão cheios de alternativas. Não estou a denegrir, mas a oferecer um importante criticismo. De acordo com eles, somos animais doentes. Eles é que estão a denegrir a humanidade. Estou, simplesmente, a tentar defender o ser humano.

A filosofia é, tradicionalmente, entendida enquanto reflexão acerca de grandes problemas da existência. Algo bastante diferente daquilo que podemos classificar como problemas quotidianos…

Aristóteles perspectivou dois tipos de filosofia. O que estamos a fazer hoje não é nada de novo. Por um lado, temos a filosofia que se reporta a pensamentos elevados, metafísicos. Pelo outro, algo que é frequentemente esquecido, a sua prática, que é o que fazemos. Ou seja, utilizar a filosofia no nosso dia-a-dia.

No entanto, essa atitude não significa a banalização da filosofia?
O vocabulário que utilizo é mais simples ou mais complexo dependendo das pessoas com que estou a conversar ou a ensinar filosofia. Da mesma forma que não se ensina filosofia a um estudante universitário como o fazemos a alunos mais novos. Mas isto não significa banalização.

E por que não outras formas de terapia?
Se uma pessoa se sente melhor quando escreve poesia, então deve faze-lo. A filosofia é uma hipótese, nunca a única.

Que significa o processo que denominou como PEACE?
É uma espécie de metodologia, que usamos com os nossos clientes. É a maneira de sabermos o que se passa com eles. Primeiro temos de descobrir de que tipo de problema se trata. Depois temos de utilizar as suas respostas emocionais de uma forma construtiva. Segue-se a análise, mas ela não é suficiente. Tem de ser completada com a contemplação, mas num contexto filosófico. E se tivermos sucesso a este nível, o nosso cliente percebeu algo de muito importante e conseguiu chegar a um estado de equilíbrio.

Utilizou a designação cliente e não paciente. Porquê?
Paciente tem conotações com algo que é do domínio médico. O que sugere automaticamente um tratamento desse tipo. Cliente, pelo contrário, traduz uma relação profissional. Aristóteles dizia que os filósofos tinham pacientes.

Qual a razão da ruptura com a ASPCP?
Porque a ASPCP é académica…

E você não é um académico?
Sou, mas precisamos de mais do que isso. Necessitamos de uma associação profissional. Da mesma forma que os futuros médicos vão para uma universidade de medicina realizar os seus estudos e, no entanto, depois têm de contactar com a realidade. Ou seja, necessitam de prática. O mesmo acontece com os conselheiros filosóficos. E eles têm de ser representados por uma associação profissional.

Quais as capacidades que um conselheiro filosófico deve ter para exercer essa função?
Possuir uma bagagem teórica não é suficiente. Mas ela é necessária para entendermos o nosso objecto de estudo. A licenciatura em filosofia não é suficiente para sermos conselheiros filosóficos. Podemos ir a uma livraria e ler livros sobre medicina, no entanto, não somos médicos. Porquê? Porque precisamos de prática, de sermos supervisionados por uma organização profissional. APPA representa os profissionais, mais do que os académicos.

Qual a razão para não utilizar os ensinamentos da filosofia marxista?
A filosofia marxista é nociva. Embora os marxistas digam que ela nunca foi correctamente implementada. O comunismo só resulta em pequenas comunidades. Mas o planeamento centralizado da economia falhou na ex-União Soviética e continua a falhar em Cuba, onde as pessoas vivem em condições terríveis. E não é por causa do embargo norte-americano, mas sim porque eles não produzem. Porquê que a China se tornou mais próspera? Porque abriram a sua economia, apesar de terem alguma supervisão de um estado totalitário. Contudo, a sua economia está mais permissiva através da utilização do modelo ocidental.
Marx tinha razão quando apontou os grandes problemas do capitalismo no século XIX, das muitas pessoas que sofriam por causa desse sistema económico. No entanto, talvez o capitalismo hoje necessite de alguma compaixão, de preocupações sociais, que possibilitem às pessoas terem a sua oportunidade. Mas o comunismo puro nunca resultou.

No entanto, o marxismo significou uma esperança no futuro para muitas pessoas. Algo que é muito importante para a nossa vida quotidiana. Concorda?
Por vezes, é melhor não ter esperança. A esperança é algo que nos remete para o futuro. E espero, sobretudo, que não se esqueça o presente. O hoje é mais importante que o ontem e do que o amanhã. O que Marx nos ofereceu foi uma ideia de irmandade baseada na igualdade, mas isto não é esperança. É algo para ser conseguido hoje. Esta é uma boa ideia marxista. Mas Marx não foi o único filósofo a legar-nos uma ideia de igualdade. No entanto, ele defendeu-a na base de uma revolução agressiva. Algo que nunca resultou. A violência nunca é a solução.

Alguma vez experimentou Prozac?
Nunca. Nos anos 60 existiam drogas muito melhores [risos].

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PHILOSOPHY, RESEARCH, AND EDUCATION

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Dão-se consultas de Filosofia

https://www.publico.pt/sup-publica/jornal/daose-consultas-de-filosofiadaose-consultas-de-filosofia-17962720

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A ideia geral do Aconselhamento Filosófico: uma introdução ao tema

http://www.uc.pt/fluc/dfci/publicacoes/a_ideia_geral_do_aconselhamento_filosofico

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Mensagem da Diretora Geral da UNESCO para o Dia da Filosofia

Dia Mundial da Filosofia 2015

Mensagem de Irina Bokova, Directora-Geral da UNESCO

A convicção de que a filosofia pode trazer um contributo essencial para o bem-estar da humanidade, esclarecer os desafios complexos e fazer progredir a paz está no centro do Dia Mundial da Filosofia.

Uma vez, o historiador Henry Brooks Adams disse ironicamente «Filosofia: respostas ininteligíveis para problemas insolúveis».

Ao contrário, a UNESCO considera a filosofia como um vector de emancipação individual e colectiva. Porque pensar ao mesmo tempo que se reflecte sobre o facto de pensar, é filosofar, e nós fazemo-lo constantemente, movidos pelo motor mais espontâneo do engenho humano, a saber, o espanto.

A filosofia é o diálogo suscitado por este espanto, tecido ao longo dos tempos com a arte e a literatura, que anima os debates consagrados aos desafios sociais e políticos, e que é praticado por todos, sem formação especializada, bem para lá das salas de aula.

Esta é a mensagem da UNESCO hoje: devemos celebrar alto e bom som os méritos da filosofia, a fim de despertar o interesse de cada mulher e de cada homem e sobretudo de cada rapariga e de cada rapaz. Devemos dar a conhecer, em grande escala e de diferentes modos, as maravilhas da filosofia.

Este mesmo é também o objectivo da cátedra UNESCO sobre a prática da filosofia com crianças que acaba de ser criada na Universidade de Nantes (França), fruto de uma cooperação de longa data entre a UNESCO e as redes de professores de filosofia.

Nós trabalhamos no sentido de conseguir que a filosofia, a mais antiga das disciplinas, chegue a um público cada vez mais amplo graças às tecnologias de ponta, por exemplo ferramentas de ensino através da Internet, inspiradas no “Manual de filosofia: uma perspectiva Sul-Sul da UNESCO (2025).

Este ano, todas as actividades de celebração do Dia Mundial da Filosofia colocarão pela primeira vez o acento na utilização das novas tecnologias da comunicação para suscitar o interesse do público por todo o mundo.

Em Setembro, os dirigentes de todos os países adoptaram o Programa de desenvolvimento sustentável no horizonte de 2030, que definiu perspectivas novas para as populações, em matéria de prosperidade e paz, e para o planeta.

Para que este programa possa dar frutos, será necessário mobilizar todas as competências associadas à filosofia – rigor, criatividade e pensamento crítico. A sustentabilidade exige que repensemos a relação que nós mantemos com o planeta. Deveremos adoptar novos modos de acção, de produção e de comportamento. Para isso, a filosofia e o conjunto das ciências humanas terão um papel essencial a desempenhar.

A UNESCO foi criada há 70 anos num mundo em reconstrução após uma guerra devastadora, na base duma nova concepção da paz ao serviço da solidariedade intelectual e moral dos povos. A filosofia sempre esteve no centro do mandato da Organização, com o objectivo de oferecer a cada mulher e a cada homem a ocasião de se descobrir e de descobrir os outros, de compreender as transformações e de tirar partido delas a fim de tornar possível um futuro melhor para todos.

Mahatma Gandhi disse um dia: «Toda a nossa filosofia é seca como o pó se não se traduzir imediatamente em acto vivo de serviço».

Esta tem sido sempre a mensagem da UNESCO, e nunca foi tão importante como hoje.

Irina Bokova,

Directora-Geral da UNESCO

(Trad. José Alves Jana)

 

 

 

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DIA DA FILOSOFIA

A Filosofia, como tudo o que é mais importante, apresenta-se sob diversas formas. A mais visível é talvez a figura dos grandes filósofos, de que Platão e Aristóteles são duas traves mestras. Outra das formas, a mais pesada, é a filosofia escolar, no secundário e no superior, com tudo o que implica de exigências académicas. Uma outra forma, a mais difusa, é a presença da filosofia por dentro do tecido social, a configurar as nossas formas de vida e a orientar as nossas decisões pessoais e colectivas. É desta última das suas presenças que nos vem muito daquilo que somos. A verdade, porém, é que andamos desorientados entre o que somos e o que queremos ser. Se Deus morreu e a realidade perdeu o seu poder de referente objectivo absoluto, então, onde estamos? e para onde vamos?

Basta olhar à volta, para nos darmos conta de que nos encontramos numa série, para nós quase infinita, de encruzilhadas. Decisivas, ainda por cima. Mas todas elas incertas.

E se é verdade que a filosofia que nos tece por dentro do tecido social nunca deixou de ser problemática, também é verdade que a sua presença activa sob a forma de reflexão – pessoal e colectiva – não tem tido um lugar suficiente. Apesar de se multiplicarem os lugares e as organizações que dão à filosofia um papel activo e que chamam a filosofia a participar, com os outros saberes disciplinares, na tarefa de refazer o mundo e as rotas de futuro.

A filosofia com crianças, o café filosófico, o aconselhamento filosófico, a oficina temática, o retiro filosófico, a caminhada filosófica, o programa radiofónico de natureza filosófica… são apenas algumas das formas de presença activa da filosofia na cidade dos homens e mulheres que somos, hoje. Mas não são suficientes para darmos boa conta da tarefa urgente de dar novo sentido aos problemas e orientar a nossa acção comum.

Neste Dia da Filosofia, em 2015, é importante darmo-nos conta de que temos problemas de monta a resolver e de que precisamos de decidir para onde queremos ir.

 

O terrorismo internacional e o desafio dos refugiados, a ameaça das alterações climáticas, a progressiva concentração da riqueza nas mãos de muito poucos e a condenação de milhões de pessoas a uma pobreza de que nunca poderão sair pelos próprios meios, o desafio de um desenvolvimento que seja durável em alternativa a um crescimento que delapida os recursos não renováveis, o clima de crispação e de intolerância que tem vindo a crescer, a crise dos sistemas de segurança que garantiam às pessoas singulares alguma tranquilidade no futuro, os crescentes problemas de saúde resultantes quer da abundância relativa quer do progressivo envelhecimento das populações, …

Em Portugal, a reconstrução de uma saída para a crise política actual, a reconquista de um lugar viável e digno entre as nações da Europa e do mundo, a recuperação de todos quantos se perderam na crise económica e social por que ainda estamos a passar, a reconstrução de um sistema de ensino capaz de enfrentar com sucesso os desafios dos novos tempos, a redescoberta de uma saída económica e social para o interior em progressiva perda de vitalidade…

Nas organizações em que trabalhamos, nas famílias de que somos parte e na nossas vida pessoal, precisamos de decidir o que fazer, o que vale mais e menos, o que deve ser bem preservado e o que pode ou deve ser abandonado, como somos justos e felizes, inteiros e tolerantes, criativos e respeitadores e assim sucessivamente.

Alguém pode dizer que a filosofia não tem uma palavra a dizer em todos e cada um destes desafios? Alguém pode defender que em cada um destes problemas a filosofia pode ser dispensada de participar na procura das necessárias soluções?

Muitos são os recursos filosóficos de que podemos dispor, muitos são os novos desafios que é necessário enfrentar com uma reflexão renovada. Por isso, muitas têm de ser as formas de estar filosoficamente presente e activo nos lugares e nos momentos em que os problemas são reflectidos e decididos. E é necessário refrescar a imagem pesada, por vezes mesmo bafienta, que da filosofia se foi dando ao longo dos anos. Da filosofia de que nada se espera, cabe-nos fazer o trânsito para uma filosofia com que se pode contar e com que se conta de facto. Essa é uma tarefa cuja responsabilidade cabe sobretudo a quem tem nas mãos o trabalho profissional da filosofia como disciplina e como prática.

O ano de 2015 é, como qualquer outro, um ano decisivo. Mas este é aquele que agora nos é dado viver neste cruzamento histórico em que nos encontramos. Hoje é o dia, esta é a hora, em que todos somos chamados a participar desta aventura de estarmos vivos, uns com os outros, nas nossas diferenças mas sobretudo naquilo que nos une e que é muito. A filosofia é, hoje como ontem, chamada a ter um papel activo na reconstrução de uma saída deste labirinto em que nos encontramos. E a nós – a cada um de nós – cabe participar deste processo com as ferramentas que temos e que, sempre, é preciso aprimorar.

 

José Alves Jana

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